Hoje eu só quero andar de bicicleta. Cada dia que passa acho mais estranho estar viva. Parece que não faz sentido, e que é muito fácil morrer. Até porque eu não vivo, só trabalho e espero. Espero qualquer momento de felicidade. Assisti "Memórias Póstumas de Brás Cubas", e percebi que o Machado de Assis sempre conta uma história do início ao fim.
Do nascimento à morte. Nunca pensei tanto na morte como agora. Quando existe uma promessa de vida pela frente. Quero entender como eu ainda estou ouvindo o Charlie, e agora tenho um medo que nunca tive antes, o de morrer sozinha. Agora passo o dia esperando que alguém chegue em casa,me sinto mau passando o dia só.
Coisa que antes eu adorava, que era passar o dia sozinha. Não gosto mais e sinto a necessidade de ter algum familiar por perto. Parece que estou ficando velha. Ontem não saí porque estava me sentindo cansada. Hoje torço para que a bicicleta que foi para o concerto esteja arrumada para eu poder passear.
Mas também não é uma atividade que melhoraria o meu dia. Virei adulta, "Você precisa de sexo". Foi o que Charlie disse, e talvez seja isso mesmo. E depois disso vem o quê? "Satisfação em estar vivo". Tenho a leve sensação que não sou capaz disso. "Todo mundo é, e você não se conhece".
Hoje eu só quero andar de bicicleta, e vou ter que usar máscara. Porque a COVID19, não pára, as pessoas não param de morrer, para que a vida volte ao normal. Eu só quero andar de bicicleta. "Capitu, não pense tanto em morte, é vida, muita vida".
"Publique isso por favor, eu preciso saber como você está".
"Eu estou de saco cheio de tanto esperar".
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