Um abraço. Quarentena dia 9 de Maio. Amanhã é dia das mães. Graças ao vírus do morcego, quantas mães já perderam seus filhos, ou filhos perderam suas mães? Amanhã não é uma data feliz. E pra mim nunca foi. Minha mãe parece a Norma Bates, é sério. Lembro de uma vez que ela me abraçou, e eu senti que estava presa com aquela camisa de força. Tamanha era a força do "abraço". Que me pareceu mais que ela queria dar um mata leão em mim.
Não gosto de dia das mães, dia do irmão, do pai, do namorado, do papagaio, do periquito... "Macaco, praia, carro, jornal tobogã, eu acho tudo isso um saco", como o grande Raul já disse. Nem sempre sua mãe é sua melhor amiga. A minha é aquela que é a especial responsável pela minha crise de identidade, e ansiedades no geral.
Além de me fazer achar que eu sou uma grande farsa. Sim. Uma mentirosa. E olha que até então eu tinha medo e vergonha de mentir. Mas andei aprendendo, a usar algumas mentiras a meu favor como um querido maridinho meu.
Ele me pede para publicar coisas, porque ele quer rir da minha desgraça, assim as dele parecem menores. Mas voltando ao vírus mortal, tem algum vírus pior do que o da dissimulação? Eu acho que não. Minha mãe pensa que sabe mentir, mas eu sempre enxerguei tudo o que ela tentou me esconder. Eu só andei muito distraída. Normal.
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