terça-feira, 26 de outubro de 2021

O Pequeno Príncipe


 

Um livro tragédia anunciada, chamado “O Pequeno Príncipe”


Eu não faço mau a ninguém só a mim mesma, eles tentam me atingir e se atingem. Queria ser professora, mas a meninos querendo me ensinar o que eu já sei. Com intenções escusas.

Um livro profético. E tantas outras palavras, cheias de AMOR. Estão guardadas na sua mochila com estampas de camuflagem. Não me é dada a palavra, mas, mesmo assim, eu ainda falo, através dos outros. Sou muito eloquente, por isso sinto necessidade de escrever esse linda relato. Sou linda, e esperta, mas infelizmente não acredito em príncipes. Preciso que eles me façam acreditar que eles existem, se materializando bem na minha frente. Só acredito naquilo que posso tocar, mas tenho um sentimento raro de pertencimento a meu país, eu não quero ir embora daqui, nunca. E nem posso, meu povo não quer me perder.

Tem muitas coisas aqui que me enchem de prazer, tantos temperos e cheiros diferentes que me invadem, não importa aonde eu vá eles me acompanham e me fazem feliz independente das circunstâncias. São impregnantes como um perfume da Chanel. Tudo por acaso, é mera diversão. Meu quarto é como um hotel de luxo, o Copacana Palace seria uma metáfora perfeita. Meu banheiro, que até então eu acreditava ser privativo, todo branco e com lindos azulejos ao estilo Português, com lindas rosas vermelhas adornadas, agora parece uma rodoviária. Sempre recebendo viajantes em busca de tratamento para um vírus invisível aos olhos de quem tem fé no futuro. Realmente não entendo o motivo de tanta precipitação. Sendo que tudo e todos sempre estiveram em minhas mãos, não a motivo para tanta correria. O apressado come cru, e ainda por cima, corre o risco de queimar a própria língua.

A minha panela está cheia de feijão cozinhando. Os homens do meu país gostam de cantar, e gosto deles assim, é interessante, não à opinião de especialista em qualquer coisa que faça os autênticos pararem de cantar. Há os clones e os originais, minha música verdadeira aos ouvidos de gente fraca, e cheia de amor no coração, é tóxica, causa gripes inesperadas, e as vezes derramamento de sangue. Farmacêuticos não faltam. Amo minha música, você deveria vir aqui ouvi-la, é inspiradora. Sabe como é, se não é, imite. Mas saiba que o que é meu, eu seguro com força. Você quer ser meu também? Sim porque eu tenho tudo, tudo dentro de mim, não me falta nada. Amor vira e mexe, se esconde aqui dentro, sempre tenho que sair de casa para ir caçar mais amor, e guardar na minha caixinha de relicários. Tiram minha energia, para acumulação pessoal, e acumulação de objetos pessoais também.

Sou milionária, mas acima de tudo, gosto de dividir meus bens com todos os necessitados de carinho e atenção. Sou um show de altruísmo e humanologia. Crio fenômenos sobrenaturais, especialistas na arte do drible. Crianças são crianças e meninos são meninos. Mas eu, meu nome é Capitu. Eu já te disse isso? Prazer, Capitu de Capitu Prazer, gosto de homens adultos e já barbados. Nada de garotinhos que parecem ter acabado de sair das fraldas. Até porque para andar a meu lado, tem que aprender a aguentar porradas, encarceramento com cobras famintas, choques em áreas onde o sol não entra, ou até cortes de cabelo na máquina zero, que nem sempre me deixam atrativa, mas causa sensações interessantes. O vento bate na minha careca e me dá arrepios. Ser relembrada de quem manda, de forma carinhosa com divertidos afogamentos em caixas d` água entupidas de gelo, me faz ter uma memória de elefante. 90 por cento dela está submersa, e apenas 10 por cento permanece explícito de uma forma espetacular e mirabolante, essas aparições aí pelo globo, menos na casa da minha mamãe e do meu papai, fazem as pessoas acreditarem que ela é vulgar, e está em busca de guerra ou de recompensas.

Mas ela fala em línguas arianas, próprias de sânscritos sagrados hindus, um povo próprio da árias que viveu há muito tempo no planalto Iraniano, no sul da Ásia, entre o mar Cáspio e as montanhas do Hindu Kuch. Há cerca de 3.500 anos um ramo deste povo conquistou a Índia, e curiosa como ela é, gosta de aprender sobre tudo e todos. Nada é invisível aos seus olhos, e isso pode causar revoltas inesperadas, você sabia? Ela é amante da yoga, suas posições favoritas em sequência de seus movimentos ditados pela mamãe natureza são; Adho Mukha Svanasana, Ardha Bhujangasana, Trikonasana, Virabhadrasana 1, Balasana, Marichyasana, Virabhadrasana 2, Trikonasana, Urdhva Mukha Svanasana. Confuso? Eu sei. Infelizmente para mim faz todo sentido, eu vivo isso na pele, aqui tudo é possível até coisas esdrúxulas. Gostaria de saber como resolver essa competição entre espelhos curvos, e espelhos côncavos, estão me deformando por pura diversão e entretenimento do público. Mesmo que eu faça muito, e mereça justamente por esse motivo, não consigo navegar no meu próprio barco? Porque? Alguém me explique, porque esse círculo de amizades nunca termina, eu imploro ao senhor de posses.

Escrever é acima de tudo um ato de loucura, rio sozinha, mostro os dentes sem medir as consequências terríveis das minhas palavras. Sou preguiçosa e sonolenta e nem sempre gosto de estar me empenhando em um só projeto, tenho múltiplos braços que trabalham para minha proteção pessoal. Sou preciosa ao meu país, é curioso como não entro, mas também não saio das redondezas. Bem, mas se tem uma coisa que me segura bem firme, e com os pés no devido chão, é a certeza de que o amanhã sempre me traz novidades e belas oportunidades. Estou numa espera eterna, de que a minha ideia original volte a mim em forma de um boneco Ken de plástico. Ou até a própria Barbie, se ela estiver entediada e em busca de novas aventuras, combustível para o seu jatinho particular. Quem sou eu para me intrometer em disputas amorosas tão sérias e requintadas?

Tenho uma criação de galinhas, você gosta de strogonoff? Sou cozinheira de mão cheia. Acontece que, na posição que agora me encontro, eu só posso ir deixando as coisas acontecerem, não possuo o poder necessário de criação, assim que eu crio algo, algum Gavião-Real (Harpia harpyja) desce dos céus milagrosamente e abocanha uma das minhas amadas penosas. Tenho todo tipo de aves majestosas que vem direto da maior floresta do mundo, a Amazônica, que é minha e lamentavelmente pouco visitada. Acho estranho porque ela é um patrimônio mundial. Você acha isso normal? O tempo passa e a gente vai ficando velha, isso faz parte da natureza, mas também não significa que eu não esteja em busca de mais romantismo, sabe? Sacrifícios todos fazemos, pelo bem do nosso país. Algumas, ou várias horas de ilusão e fuga da realidade todos precisam para relaxar. Eu estou cansada, meu cargo é imensamente público e desgastante. Você sabe o que eu preciso?

Fiquei sabendo que você andou por aí falando em meu nome. E aprendendo a ser como eu a partir só seu trabalho. Você não acha que você trabalha demais, quando você se diverte? Eu gosto de diversão, todo o tipo que se tem conhecimento, desde literatura a música, e audiovisual. Sou muito popular e meu telefone toca diariamente, e em horas que nem sempre são confortáveis a minha posição na sociedade. Como eu sei que você é um príncipe cheio de sentimentos belos, vou contar a você qual é minha função dentro da minha Família Adorável. Eu, que agora sou mais do que uma amiga na sua vida, nunca estou em casa, estou sempre perambulando pelo país rodeada de pessoas encarregadas da minha proteção, são pessoas muito provocativas. É que eu pago o salário delas, mas estranhamento elas estão sempre em busca de mais do que devem carregar. Gente sem amor no coração dificilmente consegue ser criativo e criar espaço para guardar coisas úteis para serem usadas no futuro.

Revelo minhas memórias porque quero que um dia, minha história magnífica seja contada para todo o mundo. Mas só por uma atriz que seja capaz de revelar meu lado mais obscuro. Que é o que eu mais gosto em mim. Dentro da Constelação Familiar, qual é a fechadura que a minha chave entra? Naquela que está o mais distante possível, assim eu fico livre de qualquer arranhão de qualquer gatinho mais assanhado.

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