quinta-feira, 6 de junho de 2019

Capítulo 10. de “Água Parada”

Minhas Teorias de que "Para que Serve o Brasil"?

Luvinha não sabe se vai, não sabe se fica.


 Escrevo aqui porque Luvinha, a gata fantasma em determinadas horas do dia, tenta me alertar que o amor vindo lá de cima, está tentando entrar. Preciso fazer algo para bloqueá-lo. Pego minha cruz banhada em água benta, e abro minha página no blog. Hoje quero refletir sobre uma questão que, com certeza, ronda a mente dos cidadãos desse mundo, acredito que é esse o motivo de toda a sua curiosidade (e as vezes da nossa também), e intervenções na nossa rotina. Para que serve o Brasil, e seus amados filhos dessa curiosa pátria?
 Minha conclusão é; “inspiração artística para escritores ficcionais”, mas vamos falar mais sobre isso. Aqui coisas estranhas realmente acontecem. Posso citar minha fantasminha camarada. Dona Luvinha morreu em circunstâncias aparentemente normais, mas houve algo que me chamou a atenção. Ela foi atacada pelos cachorros aqui da rua, que por motivos de negligência dos vizinhos passam o dia rondando a vizinhança.
 Tenho más lembranças com cachorros de vizinhos, quando era criança, voltando da escola fui atacada por um cachorro pequeno, mas ainda sim bastante forte. Era vira-lata mas lembrava um Beagle, bastante coisa foi esquecida daquele dia, mas me lembro que ele agarrou na minha perna e eu a balançava e ainda sim ele não soltava. Não me lembro se alguém me salvou ou se eu consegui tirar ele da minha perna. Até hoje tenho a marca da mordida na perna direita, como era bem menor e a mordida foi próxima ao joelho naquele tempo… com meu crescimento hoje a cicatriz está na minha coxa quase próxima a virilha.
 Pensando sobre o ataque, e a morte da Luvinha, sei que minha idolatrada mamãe “portal aberto de almas sombrias” está friamente relacionada. Acredito que a dona daquele cachorrinho "serial killer" não gostava da minha pessoa. Vocês sabiam que os cães têm uma tendência natural a servirem aqueles que eles consideram os líderes da matilha? Mesmo os vira-latas. Da dona do cachorrinho eu me lembro muito bem, era uma senhora já de idade, com seus cabelos brancos. Tinha um hábito de comer formigas saúvas (gênero “Atta”...sugestiva expressão como “deixa pra lá”) com farinha, aqui essa formiga é popularmente chamada de Tanajura (expressão aqui popular e usada para “moça de nádegas grandes”). Talvez como um hábito adquirido dos indígenas, a senhora em questão era famosa no bairro, por esse seu gosto culinário peculiar.
 Nada contra a culinária indígena, gosto de tapioca (algo como uma panqueca de mandioca e recheada com o que você quiser), mas comer formiga pra mim já é um pouco de mais. Pensando sobre aquela bruxa, talvez o cachorrinho sentiu que ela não gostava muito de mim. E fez exatamente o que ela queria, tentou arrancar um pedaço da minha perna. Não conseguiu. Todos aqui gostam de animais, domésticos ou selvagens. Na minha cidadezinha, que agora está fria pela chegada do inverno, temos programas de castração gratuitos. Os animais são muito sensíveis e sentem quais são os desejos reais de seus donos.
 A meu ver, uma das grandes dificuldades de se viver nesse continente pangencial, é lidar com a inveja que alguns tem de seus atributos genéticos. Todos aqui querem ter a aparência mais negra possível, essa é minha teoria, porque pessoas negras possuem mais melanina na pele, o que possibilita que se aparente juventude por muito mais tempo. Observe mulheres negras que já passaram dos quarenta anos, aparentam nem ter chegado direito aos trinta. Aqui todos querem ser belos e saudáveis, pelo maior tempo possível. 
 Não estou dizendo que não existe racismo aqui, existe, mas várias das manifestações de reprovação se devem a inveja. O Brasil tem todas as pessoas do mundo num país só. Imagine como é complicado aqui na “Torre de Babel”, sair de casa sem arranjar alguma discussão fútil. Todos aqui tem alguma opinião sobre tudo, porque estamos de olho no mundo, para saber o que fazer com a gente mesmo. Todas as pessoas daqui tem uma grande habilidade de comunicação, até porque você não precisa de muita coisa, é só sair de casa para aprender a advogar.
 Numa fila de banco, você arranja alguém para conversar sobre qualquer coisa. Como os italianos, as pessoas aqui também falam com as mãos. São solidárias a passar informações se você não estiver com o mapa do google conectado a alguma rede. Não tem como se perder por muito tempo. Exceto se você estiver na Amazônia, e for tonto de não obedecer as ordens dos guias. Lá se você se perder provavelmente vai morrer. Mas voltando ao espectro da minha gata, assim que ela foi atacada, a levei ao veterinário para ver se havia salvação. Ela era muito pequena, e provavelmente foi isso que impossibilitou seu resgate, ela ficou um tempo em observação, porque qualquer tentativa mais invasiva a mataria.
 Ficou sendo aquecida até o momento da sua morte, ela teve hemorragia interna. No raio-x deu para ver o sangramento. Quando o veterinário me mostrou o exame, fiquei espantada com o que vi. A área do sangramento tinha o desenho de um coração, não o órgão propriamente dito, mas esse que as crianças desenham. Tenho a chapa pra quem achar que estou mentindo. Com as palavras do doutor: “ela era muito doce, foi muito traumático, e não resistiu”. Ele se mantinha virado para mim, acho que não queria que eu visse que estava emocionado.
 O que eu tenho a dizer sobre os brasileiros é: “Tenha fé”. 

Continua...

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