Raízes
da Corrupção Nossa de Cada Dia
Tudo o que ele fez foi para o seu próprio bem. Quem é ele? Aquele que me fez criar interesse pela yoga, e perceber que essa é uma prática com raízes muito femininas, apesar de mais uma vez, ser dominada por homens. Todos os países que estão a nossa volta, são futuros predadores desse maravilhoso país de criaturas mágicas, e terras férteis que produzem alimentos de propriedades curativas, que proporcionam beleza e saúde eternas. Verdadeiras pedras filosofais. Cuidado Brás Cubas, não confie nos heróis da Humanidade. Preciso falar que conheci um anjo…
Um anjo, que só queria o meu bem, e o bem de toda a galerinha do “high society”. Sei que muitos membros famosos das realezas mundiais são adeptos da yoga. Ela faz bem a saúde, e ainda te mantém bonito e jovem. Pois bem, meu anjo era professor de yoga. Conhecê-lo e me dar conta desta profissão tão interessante, me fez imediatamente ter uma opinião positiva sobre ele. Que com o tempo foi se desmoronando aos pouquinhos, como as obras anuais que certos políticos patrocinam em busca de arrecadação de votos passageira.
Ele era esbelto, pele clara, com algumas sardas aparentes no rosto e ombros, cabelo ruivo e cacheado, mãos longas, e pés também. Me lembrava um serval (Leptailurus serval), um felino africano e carnívoro, onde infelizmente, tem gente muito carente (tenho gatos e sou carente) que os cria como se fossem gatos domésticos. Até dão ração de gato, para esse bichinho que precisa de carne crua. O comparo ao Gael, esse é o nome dele, porque ele se mostrou um bichinho selvagem criado em cativeiro.
Conheci a figura “da paz”, na minha classe de psicologia, partilhamos cinco anos de aulas sobre Freud. Mas a meu ver, Gael não aprendeu nada com esse senhor tão sábio. Gael é do signo de libra, e eu, como boa escorpiana, sempre atraio essas figuras míticas. Os librianos são seres muito elegantes, gostam de sempre manter boa aparência, são muito sociáveis… A minha primeira vista achei que ele não seria nenhum problema, até me afeiçoei a ele, era gentil, e engraçado…
Mas com a infalível ação do tempo, entendi o que significa, a expressão astrológica; “libra é o inferno astral de escorpião”. Comecei a me sentir em um filme de terror, quando ele estava na sala de aula, fazia de tudo para chamar a atenção de todos os presentes com algum tipo de piada ruim, todos riam, porque ele era bonito, e todas as meninas da sala queriam dar uns amassos nele. E eu também.
Com as fases de nosso relacionamento se deteriorando, comecei a sentir que Gael me pressionava contra uma parede branca, e cheia de adornos florais ao som de alguma música da Lana Del Rey (sempre parnasiana), até que eu não pudesse mais respirar. Olhava para ele, e via o próprio “Dorian Gray”; lindo, mas apodrecido por dentro. Se eu soubesse onde ele guardava seu precioso autorretrato, teria tratado logo de tacar fogo. Era assustador para mim perceber que ele convencia a todos de que era um “cidadão de bem”, mas nas entrelinhas quando se relacionava comigo, só usava sua linguagem corporal para tentar me inibir… me calar mesmo.
Vou usar um exemplo de um dia muito estranho, de comportamentos mais esquisitos ainda. Não me considero uma garota com uma beleza irresistível, mas também não sou de se jogar fora. E a alguns anos atrás, minha pele era mais bonita, e meu corpo mais rijo, tinha mais colágeno né gente. Assim sendo, cansei das palhaçadas do anjo Gael, e resolvi que iria seduzi-lo. Sou vadia? Em minha defesa, conversava com ele todo dia, tinha real interesse sobre sua turma de yoga, por vezes durante a conversa ele se recusava a partilhar seu conhecimento comigo. Ali eu já ficava com um pé atrás com ele, mas o que mais me incomodava não era isso. Era o fato de que eu demonstrava de todas as formas possíveis; “vamos parar de papinho escroto e partir para a pegação?”.
E o que o anjo de candura fazia? Isso mesmo. Nada. Fica encucada, se ele não quer ser meu amigo, porque sempre falava meias palavras comigo, não partilhava nada comigo de seu conhecimento, e só tentava o tempo todo na sala de aula se mostrar superior a mim (eu sempre fui nerd, e me destacava na minha classe, só tirava notas altas). E ainda por cima, não correspondia a meus encantos maléficos… se esse cara não quer me comer, o que ele quer, me matar? Me desculpem as mães de seus anjos por aí, mas não acredito em ingenuidade masculina. Crianças são ingênuas, homens adultos não.
Ok, pode ser que eu não era o tipo dele. Mas porque sempre que eu estava presente ele tentava chamar minha atenção, ou quando eu tentava sair da sala, porque ele estava presente e sua presença me fazia sentir que alguém queria me aniquilar, ele dizia algo do tipo: “Hana (eu parada na porta da sala prestes a sair, me viro)”. Eu: “Sim (achando que ele ia me levar para alguma escada em espiral da universidade para finalmente alguma troca de salivas”). Gael: “Acende a luz pra mim”. E eu acendi a luz e saí decepcionada. Mas ao mesmo tempo achando graça, porque na expressão dele ele percebeu as minhas intenções, e abaixou a cabeça rindo. Ele também sabia que era bonito, mas pisou na bola. E eu vou contar como.
Gael, era alguns anos mais velho do eu e agia como um Bob Esponja do mau, absorvendo toda a água em volta. Tudo o que ele absorvia sobre mim, usava contra mim. Eu não era uma possível amante, mas sim uma concorrente. Como todos na sala o veneravam, e ele sempre se fazia de vítima, aos poucos eu fui virando a persona non grata, dos meus queridos colegas. Aos poucos fui entrando nessa realidade paralela que Gael criou para mim, pois librianos são muito sociáveis, bons futuros políticos, e manipuladores por natureza.
Como ele tinha essa vibe meio hippie, totalmente fajuta, porque mora no centro da cidade e não passa de um playboy. Na roda de amigos dele, eu era careta. Eu tinha uma bad vibe? O que seria isso gente? Eu que nunca fiz mau a nenhuma mosca. Com a duração de sua falsa diplomacia, ele acabou tomando doses do seu próprio veneno, mas isso pode ser história para outro dia, porque envolve uma senhorita geminiana, que só de pensar, tenho medo de vomitar em cima do meu teclado.
Quero contar do dia que fui a aula de short bege, e meias três quartos cinzas (sabe aquelas que vão até o joelho?). Me sentei na roda de conversa, muitos professoras davam seguimento a sua aula assim. Em círculo era mais fácil de ouvir e falar. Também gosto mais assim, vejo todos e todos me veem. Gael não tirava os olhos de mim durante a aula, e as vezes suas pupilas dilatavam (o que pode ser sinal de excitação sexual, agressividade, ou os dois), seus olhos eram negros, e pareciam duas grandes jabuticabas prestes a pular da órbita.
Quando a professora fazia algum questionamento a ele, eu propositalmente, trocava as pernas de lado na minha cadeira. E via os efeitos de ação tão complexa e digna de uma verdadeira yogue, ele se confundia na sua fala sempre tão floreada, e meticulosamente pensada para agradar a seu público. Ficava sem rumo... e eu como? Rindo por dentro. Parece que achamos uma falha na matriz do nosso amado, “Davi de Michelangelo”. Toda a sequência de eventos na infortunada aula, foi assim. Ele tentava colocar as ideias no lugar, e eu trocava de pernas, com as demoníacas meias três quartos. Nunca me senti tão satisfeita. Quem está calado agora?
No fim da aula, fui até ele, que estava parado na porta da sala. E o que nosso amado anjo fez? Me agarrou nos braços e me deu um beijo apaixonado, querido leitor? Não, fez o que sempre fazia, se afastou de mim, olhando acusadoramente para minhas pernas amaldiçoadas. Penso que talvez Gael fosse gay, e não quisesse admitir. Desejo um amor sincero na vida dele. Hoje eu mandei currículos, almocei bem, e lavei meu cabelo. "E bem, e o resto?" O resto é pizza. E aqui quem fala é a “Pícara Sonhadora”.
Continua...
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