sábado, 14 de setembro de 2019

A Capitu é Uma Criança Assombrada desde Sempre

 Tá, eu vou ajoelhar e rezar o padre nosso antes de começar, pega na minha mão esquerda, e aprende comigo a ter o "corpo fechado". Coisa que tiraram de você. Quando eu morava no condomínio morei lá dos 6 aos 12 e convivia com as crianças Aohna e Hagrid. Nós andávamos por todo o condomínio sozinhos de noite, lá dentro tem quadras de todo tipo, quadra de tênis, de futebol, gramadas com piso, enfim. Andávamos com os cães, porque era divertido e porque o Hagrid e a Aohna ganhava dinheiro com isso. Eu e meu irmãozinho Alfred apenas acompanhávamos os irmãos Weasley. Depois de andar bastante, nos sentamos na quadra mais alta do condomínio que tem a vista mais alta para o céu, e para o lago que tem dentro do condomínio.
 Quando o querido Hagrid que tinha uma mania irritante de ser bastante deslumbrado com coisas simples, olhou para o céu, viu um ponto vermelho se mexendo e encasquetou que era um Ovni. Ele fez tanto alarde que a gente começou a acreditar que fosse mesmo um Ovni, ou pode ser que era porque não se movia como um balão meteorológico. Ia para cima, para baixo, para os lados. Hagrid falou tanto e com tanto entusiasmo que fez todos nós ficarmos apavorados. Lembro de descermos correndo, para casa, com medo de ETs. Coisa que quando ele começou a apontar nem demos tanta importância. Hoje eu acho engraçado,mas lá deu medo Talvez meu amigo Hagrid também fosse ator, ele convenceu todo mundo.
 Aohna era uma das mocinhas que as vezes do nada resolvia me provocar, estava eu na puberdade, e meus seiozinhos de leite estavam em protuberância. Estava com uma blusa que transparecia isso. E ela resolveu tirar sarro desse meu momento de crescimento pessoal e sexual como um ser humano normal. Fiquei com muito ódio dela, mas não respondi as ofensas, segui a vida como sempre tentando ver as coisas mais coloridas, sabe. Quem também precisa ver as coisas assim?. Mas deixa eu contar o dia que me senti vingada dela. Morávamos numa casa pequena, estava Alfred, Capitu e mamãe Carolina. Papai trabalhava como sempre. Quando Aohna veio correndo, com o rosto todo vermelho, com uma expressão de terror, que até hoje eu me lembro. Foi a expressão dela que fez eu perceber que era real. Aohna confiava na minha mãe mais do que eu:
 Aohna: Dona Carolina, (ela tava com o cabelo todo molhado, e com uma roupa toda estranha) você não vai acreditar...
 Minha mãe pela expressão dela pensou o pior, e começou a berrar de um jeito que me incomoda:
 Carolina: O que foi menina, pelo amor de Deus?
 Aohna começou a chorar, coisa que eu nunca tinha visto vindo dela.
 Aohna: Pelo amor de Deus, eu tava tomando banho, entrei no quarto pra me vestir, e senti um negócio horrível junto de mim. Sentou na minha cama do meu lado, e parecia que tava tentando tocar em mim! 
 Carolina: Cadê seus pais, o Hagrid?
 Aohna: Não tem ninguém em casa eles foram no mercado. Me ajuda!
 Carolina: O que você quer que eu faça? Menina para de tremer!
 Aohna: Vamo lá em casa ver o que é, eu tô com medo de voltar sozinha, e se meus pais chegarem e ainda estiver lá.
 Lá fomos nós mesmo com medo, armados de vassouras, sim, vassouras. O Hagrid viu a gente chegando na casa, e quis ir lá dentro primeiro quando explicamos a situação para ele. O Hagrid gostava de se exibir para meu irmão Alfred, tinha uma queda enorme por ele. Foi entrando um de cada vez, Capitu só entrou depois de todo mundo. Ninguém viu nada. Mas Aohna continuou transtornada, foi se acalmando aos pouquinhos. Eu devo confessar que me senti de alguma forma vingada. Ela realmente não tinha sido legal comigo. 
 A fauna do condomínio era enorme, uma vez viram uma onça lá dentro, os guardas imbecis acabaram matando, meu pai me contou. Porque tiveram medo que atacasse algum condômino, eu achei de uma burrice... perguntei para meu pai porque não chamaram o IBAMA, ele não soube responder. Tinha uma mata muito fechada lá repleta de macacos, ia escurecendo e eu sabia meio que a hora pelos gritos que eles davam, que eu ouvia de casa. Quando tava sozinha, esses sons me assustavam. Não sei até que ponto, mas me lembro um dia, que comecei a ouvir, do lado dos sons dos macacos:
 Horrana, horrana (bem baixinho). Entrei para casa.
 A casa que meus pais cuidavam era num estilo muito velho, e antiquado, bem judeu, com pias de carne e leite. As vezes, minha mãe me mandava buscar alguma coisa lá dentro, quando tava escurecendo. Uma das coisas que me arrependo de fazer, foi obedece-la. Meu irmãozinho Alfred que gostava de me assustar, era uma das suas brincadeiras favoritas, veio atrás de mim dessa vez. Eu percebi que vinha, mas finge que não. Não sei porque, falar com ele teria evitado. Quando eu estava indo da cozinha para a sala, quase subindo aos quartos das casa horrível, foi quando o querido Alfinho:
 Alf: Hey, Horrana. (No mesmo tom que meu pai me chama, alarmado)
 Eu me virei.
 Alf: Buh!
 Eu não entendo até hoje porque, mas quando me virei e olhei para a expressão de não sei como, muitos dentes, e olhos bem fechados, comecei a gritar. E gritei tanto que quem ficou com medo, foi ele. Hoje, eu penso que talvez isso tenha sido um dejavu de algum passado. Você me deu um tiro? Quando eu virei era ou o Pedro, ou o Charlie com diferentes tipos de armas, brancas, de calibres, apontadas para mim. Você não concorda?

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