A minha causa é a minha existência, e a do MEU MARIDO também. Sim, porque andei percebendo que assim como eu todos estão tirando partes dele e vendendo por aí. Conheço Charlie desde a minha remota infância. Lembro de uma tarde de quarta-feira quando eu estava no ensino fundamental, numa escolinha muito remota e escondida por salgueiros lutadores, que mesmo que meu Romeu não estivesse ali comigo eu sentia seus efeitos. Eu tinha por lá os meus 10 anos, e estava no intervalo sentada no chão com outra amiga minha, ainda não pensava em seguir carreira política, só queria tomar um sol, e me distrair do fato de me sentir permanentemente vigiada. Sim, aqui na minha casa, a grande estrela sempre fui eu.
Sempre gostei de sentar na frente para poder ouvir melhor o professor. Quem é meu professor? Ou professora? Mas tinha uma coisa que realmente me incomodava, e me fazia me fechar em mim mesma, como uma concha; ouvia sussurros pelas minhas costas, e quando eu me virava, meus colegas riam de mim, nunca entendi direito o porque... Achava que era simples bullying que ainda nem tinha esse nome, era brincadeirinha de criança. Eu mau sabia e já tinha um namoradinho. Sempre me senti sendo perseguida, "tem alguém querendo me capturar". Mas o que é a vida não é mesmo? Não tem como saber. Não importa quantos filmes sejam feitos, não tem como saber... só vivendo. Meu então amigo Charlie nessa época era dono de uma fábrica de chocolates, eu ainda não o tinha visto, quando estava na escola eu só pensava em voltar pra casa e assistir "Chaves e Chapolim". Não ia ao cinema, não gostava.
Voltando ao meu intervalo, estava eu lá com minha amiga, quando uns dos meus colegas, que agora me fugiu o nome... se sentou do meu lado e inesperadamente deitou a cabeça no meu colo. Achei aquilo meio suspeito...
Apenas amigo: Capitu, faz um carinho nas minhas orelhas?
Capitu: Orelha? Porque?
Apenas amigo: Porque eu gosto.
Ele nunca tinha feito nada disso, fiz os carinhos, e comecei a ficar incomodada porque ele não saía do meu colo. O intervalo finalmente acabou, e eu voltei para a sala, graças a Deus. Minha infância e adolescência sempre foi assim, garotinhos vindo até mim e me entregando rosas, sem nenhuma data comemorativa em especial. Eu só aceitava, mas ao mesmo tempo pensava: "mas eu só tenho 10 anos, o que está acontecendo?". O menino que se jogou no meu colo, no dia seguinte estava choroso no intervalo. Eu não tinha visto, mas meus colegas vieram até mim, com olhares acusadores que diziam: "que cobrinha sem sentimentos". Digo e repito, eu só tinha 10 anos, e já fiz o Pedro Gregório chorar. Hoje meu marido que é ator profissional, Charlie Ouranos Brown me fez perceber muitos mistérios que até então estavam escondidos.
Charlie sempre gostou de brincar, e sua brincadeira favorita sempre foi me imitar. Uma brincadeira perigosa que sempre mexeu com a minha vida. As vezes eu sou uma criança doce que vira uma grande empresária do ramo alimentício do dia pra noite. Do nada uma criança que chora copiosamente sem nenhum motivo aparente. Por isso, eu o conheço a muitos anos. Sou uma gatinha preta e branca esotérica, tenho a sensação que mesmo estando em outro continente, ele faz visitas astrais a mim de madrugada, me dando dicas do seu paradeiro. Meus gatos falam comigo, uma noite dessas, aqui no Engenho Novo, meu gato Hypnos olhou para fora na minha varanda, como se tivesse alguém ali me olhando...
Fiquei olhando para ver se também via alguma coisa, não vi nada, recostei no sofá e continuei assistindo TV, Pedro adora me dar coisas para eu assistir, pra ver se me captura como um pokemon lendário. Se eu fosse um pokemon eu seria o Pikachu, porque sou sempre a protagonista. Não importa o enredo. Voltei a TV, quando senti a patinha bem de leve do meu gato batendo na minha mão direita, depois ele voltou a olhar para a varanda, olhou por alguns instantes, depois se deitou e dormiu. Segui fingindo que não tinha entendido. Foi quando Salém deitou próximo a meu gato Hagrid, um gato de raça com toda a arrogância característica do "Pequeno Príncipe", e mais uma vez Salém pós a pata na minha mão direita. E olho para um objeto misterioso.
Tem um parapeito na minha sala, onde tem uma representação de dois passarinhos num ninho. O João de Barro, e Rafaela Chateaubrind. Vou colocar aqui para meu Amélio de Poulan poder entender mais geograficamente o que eu estou tentando explicar:

Salém me avisou que poderia haver um empecilho, Rafaela Chateaubrind, pensa que é um relógio como eu, vive voltando o ponteiro para as 4:20. Ela é viciada em mim mesmo, porque você veio tantas vezes em direção a mim, meu amado, que eu me virei para você e comecei a te olhar com outros olhos... Eu tô bem do seu lado agora, te olhando friamente. Mas a Rafaela, ela tem um transtorno de comportamento que eu gosto de chamar de "Bovarismo", sempre que contraí dívidas... chama o meu nome em vão. Ela quer que eu pague seus boletos, você sou eu, e eu sei que nesses dias que eu não estou aí, Rafaela passou a encenar a sua peça favorita para dias nublados, "O Frango Assado Surpresa". Quando o meu nome é sussurrado; "Capitu,capitu, onde está você?", pelo meu amado, de repente todos os anéis se abrem. Todas as pernas se levantam ao ar, gritos, gemidos estranhos... casamentos repentinos...
Eu tô vivendo a minha vida, ou os outros estão me vivendo? Minha presença causa movimentos estranhos, como um wifi de repente, todo mundo se conecta, numa corrida para se salvar o que se puder. Porque a poderosa está vindo, o furacão chegou. Olha que divertido, sempre fui o Trump desde pequena, sabe aquele desafio de sair correndo quando falam o nome dele nas escolas? Eu vivo isso. Nunca tinha entendido porque. Agora eu sei, a culpa é sua. E você tem uma dívida comigo, que só vai crescendo... Eu tenho certeza que a peça da Rafaela já caiu por terra, e agora você está de mãos abanando. Só sobrou pudim de leite condensado para comer.
Enquanto eu sigo aqui com minha pipoca assistindo eu mesmo, contando minha vida para mim. Só passo vontade de comer guloseimas inglesas. Chegamos numa encruzilhada, meu One Drive está de saco cheio, MEU AMOR. Quando eu trabalhava na Escola Florêncio para você ver que eu não minto, só sou muito inconsciente, e as vezes minhas memórias somem. Estava sentada no pátio observando Sofia a menina autista que eu acompanhava, quando a professora da sala falou para mim: "Eu tava assistindo uma série (as pessoas adoram contar coisas que você não quer ouvir quando você diz que estuda psicologia), não sei se você já ouviu falar... de um menino bem bonitinho que finge ser autista?".
Capitu: Não, não vi. (Agora estou vendo, e entendendo que tem alguém obcecado por mim, eu causo vício, não negue mais) Do que se trata?
A partir daí toda a sinopse foi resumida pra mim. Não me interessei porque eu não sou a coadjuvante, EU SOU SEMPRE A PROTAGONISTA. Mas achei que era uma boa ideia, podia educar os telespectadores mais leigos... sobre minhas pretensões psicológicas. Sou manipuladora.
Capitu: Que legal. (Quando o monólogo acabou).
Meu querido Amigo serelepe, você percebe que as pessoas vivem jogando você(eu) no meu(seu) colo? Eu sou meio distraída e só percebi isso agora. Charlie agora está trabalhando em mais uma peça no Canadá, fingindo que não me ama, mas sempre me mandando recados. Charlie sempre esteve na minha TV, no meu banheiro, e até na minha cozinha. Meu cachorro encardido Hipócrates, tem uma porquinha rosa de pelúcia que ele fica jogando para o alto. Hoje ele sismou em jogar ela dentro do banheiro. Jogou a porquinha Rafaela no banheiro e olhou penetrantemente para mim. Achei significativo:
| Hipócrates pensativo. Não importa quantos banhos eu dê nele, ele segue encardido. |
E Charlie e eu seguimos no 0x0. Capitu que liga pra Charlie, meu fantasminha camarada, que me observa tímido atrás de portas, janelas, buracos na parede:
Capitu: Nossos mundos finalmente colidiram.
Charlie: Como assim?
Capitu: Eu nunca vi tanta gente motivada. Mas como eu disse eu não posso, e nem quero sair daqui.
Charlie: Mas eu estou com saudade...
Capitu: Então porque você não vem para cá? Lembra da nossa promessa no poço? Esqueceu? Eu acho que eu estou morrendo de câncer cerebral, venha me salvar!
Charlie: Não fale em morrer Capitu!
Capitu: Você prometeu que só se casaria comigo. Lembra? Que largaria sua mãe, ou o que quer que fosse, para se casar comigo. Mas parece que era mentira, quem sou eu para você se lembrar de mim não é mesmo? Ninguém. (Capitu tosse muito fragilizada).
Charlie: Eu não posso sair daqui, eu preciso de dinheiro, estou cheio de dívidas com minha mãe.
Capitu: Mas eu tô morrendo... (Cof cof cof) Você larga tudo sua mãe, o seminário, para me ver morrer?
Charlie: Eu não posso me casar com a mulher de outro homem! E não fale me morrer!
Capitu: Que homem? Eu falo em morrer, eu não sou eterna, o tempo está passando...
Charlie: O Pedro do pé torto, aquele deficiente maldito! Não me deixa sair daqui! (Esqueci de falar que Pedro Gregório amigo de peça e seminário de Charlie tem uma cicatriz horrenda no pé esquerdo, que faz ele ser um pouco coxo).
Capitu: Mas eu não sou de ninguém eu sou minha (sua). Chave e fechadura. Todas juntas num só ser.
Charlie: Ninguém é assim.
Capitu: Eu suspeito que já tivemos essa conversa milhares de vezes, eu tenho sinais por todo o corpo de reencarnações constantes porque não consigo ver minha Madalena, a minha princesa. Todos estão tentando me matar! (Um baque e telefone sem sinal).
Essa sou eu grande dramaturga, poeta, sensual incorrigível, detetive particular, Bond Capitu Bond 006 . Então eu tenho 3 grandes questionamentos:
1: Onde está meu dinheiro que me roubaram?
2: Onde eu estou? (Você)
3: Quando a dívida será paga? (Madalena finalmente nos meus braços machucados de Cristo ressuscitado).
Estou paralisada e sendo constantemente chamada de "Mentiroso".
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