Estava feliz, não tinha como negar, sexo casual com o Charlie, era ao mesmo tempo que uma sobremesa deliciosa surpresa. Também era muito aconchegante e familiar, afinal de contas, já tínhamos sido casados. Eu ri muito, e ele também, porque parecia que estávamos fazendo algo de errado. E por isso mesmo foi mais gostoso ainda, eu adoro a sensação que é a minha pele contra a dele. O corpo dele geralmente é mais frio que o meu, me dá uma sensação de refrescância tocá-lo no começo da transa. Mas depois que a gente foi se fundindo, nossas peles tinham a mesma temperatura, e até mesmo o mesmo cheiro. Um cheiro novo, a mistura de nós dois formava uma nova fragrância.
Eu gosto tanto de sexo, que tenho uma necessidade de querer conduzir tudo, isso é um dos motivos que nem nesse momento paramos de falar. É uma transa com palavras, não ficamos em silêncio. Discutimos o tempo todo, e perguntamos o que cada um quer fazer. Eu já tive alguns namorados, que eu poderia comparar com o Ted Bundy, parecem caras legais, mas quando você vai conhecendo mais a fundo fica com medo. E a melhor solução é terminar tudo e manter distância, fingir mesmo que nunca conheceu. Um desses uma vez me prejudicou muito seriamente nos meus estudos. Ou seja, o cara era um assassino do meu futuro mesmo.
Mas por sorte conheci o Charlie que é puro amor, e tranquilidade, que não é capaz de fazer mau a uma mosca, e com quem pelo menos enquanto durou eu tive um relacionamento estável e feliz. Foi um dos melhores períodos da minha vida. Ele só libera essa energia mais masculina de destruição na hora do sexo mesmo, e isso me agrada muito. Porque nunca sei como ele vai estar, ele não tem nenhum tipo de preconceito sexual, e topa tudo que eu peço. E nesse dia ele estava muito carente, tanto quanto eu. Ficamos juntos a noite toda, e ele dormiu comigo, dormi segurando a sua mão entre as minhas. Nunca gostamos de conchinha, ou dormir abraçados, no máximo nossas pernas entrelaçadas.
Eu acordei primeiro que ele, e pude ter alguns minutos de observar quem eu amei tanto dormir tão tranquilamente. Não queria que ele acordasse e a gente caísse na real, era domingo, e tínhamos que nos despedir, cada um seguir sua própria vida. Eu tinha em mim que não queria tentar de novo, eu não sabia o que ele pensava. Porque quando fica assim atrevido, assume uma personalidade diferente, e fala muita bobagem, apenas para se divertir e não para levar a sério. O Charlie é um pouco frio, e nunca gostou que eu dissesse que o amava. Ele só disse que me amava uma vez, quando fui assistir sua peça, e fiquei acordada até o final, disse que tinha achado tudo lindo. Porque tinha mesmo, nunca menti para ele. Ele encenou uma adaptação de "A Mão e a Luva" de Machado, e eu fiquei impressionada, desde o início até o final. Ele era o cara que não fica com a moça no final. Foi estupendo.E eu disse para ele. E a resposta logo veio:
Charlie: Eu te amo Capitu. Você me ama?
Capitu: Sim eu te amo.
E desde então ele não gosta que eu diga que o amo, e não precisa porque vou amá-lo para sempre de qualquer jeito. Estando casada com ele ou não, sempre desejo que ele esteja bem. Agora estávamos nos dois nus na cama de solteiro, espremidos e com as mãos entrelaçadas. Eu observava sua respiração. Quando ele abriu os olhos teve alguns segundos de confusão, aparentava não se lembrar de nada, mas rapidamente se lembrou, e sorriu. Eu vi esses pensamentos na sua cabeça só pela sua expressão.
Charlie: Bom Dia D. Capitolina.
Capitu: Bom Dia Sr. Charles.
Charlie: Pelas dores que eu sinto no corpo parece que nosso encontro atingiu seu objetivo máximo.
Capitu: Você já veio com essas intenções?
Charlie: Eu vim matar a saudade de você. E a gente não decepciona mesmo, foi perfeito. Que horas é o café aqui? Tô morrendo de fome.
Capitu: Eu acho melhor você ir embora, não quero que ninguém nos veja juntos.
Charlie: Agora já é tarde o restaurante estava cheio.
A cama quentinha sua respiração tão próxima, como eu estava precisando daquilo.
Capitu: Ninguém ali ligou pra gente, agora de dia as pessoas vão perceber.
Charlie: Eu tô morrendo de fome.
Capitu: Meu amor, a gente junto de novo, não rola.
Ele não gostou que eu chamei ele de "meu amor", ficou puto.
Contínua...
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