Faço
Orgias Literárias, Beijo Judeus e
Marilyn Morreu
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| Quem é a caça fantasmas? |
Brasil
literalmente “mata com bondade”, e
eu vou explicar porquê. Muitos
devem estar se perguntando como foi a minha primeira vez. Minha
primeira experiência sexual? Não. Minha primeira paixão. Sempre
tive quedinhas pelos menininhos na minha sala de aula, mas
nunca nenhum deles me fez querer sair da minha inércia. Sou bem
preguiçosa. Ficava observando eles fazerem as brincadeiras da
garrafa. Aquela em que todo mundo beija todo mundo. Acho que eles
pensavam que eu não entrava na brincadeira por medo. Na verdade é
porque eu não queria desperdiçar meu primeiro beijo com alguém que
não me fizesse ficar confusa. Essa
é a paixão, não é amor, saibam disso.
Eu
sou e sempre fui uma pessoa muito centrada. Pouca coisa me abala, e
as vezes isso pode tornar meus dias meio monótonos. Por isso sempre
busquei aventuras nos livros. Depois
que saí do Ensino Médio, fui trabalhar dentro de um condomínio
conhecido por ser frequentado por judeus, onde
eu por acaso já havia morado por uns
anos,
porque
meus pais já foram caseiros. Meu
pai jardineiro, e minha mãe diarista e cozinheira.
Passei a trabalhar na administração do condomínio, fiquei atrás
de um balcão de segunda a sexta, atendendo telefones, organizando os
livros da biblioteca, e a correspondência. Aos
finais de semana ficava no SPA, frequentado por mulheres muito
exuberantes, e bastante atormentadas. Mas isso é outra história.
Estava
lá no marasmo de colocar a correspondência no devido buraquinho
designado aos moradores, quando
ele chegou. Sempre fui grande admiradora dos judeus, quando fiquei
sabendo sobre o holocausto nas aulas de história, criei em mim uma
obsessão. Eu sei que é um pouco mórbido, mas tudo o que eu pude
ler sobre o período eu li. Fiz carteirinha na biblioteca da minha
cidade, para saber mais sobre isso. Então vocês imaginem como eu
não fiquei quando conheci aquele que vou chamar aqui de Alain Delon.
Acreditem, sua
aparência me lembrava muito o Alan Delon.
Tinha
um cheiro constante de coisa
doce (mas não um doce enjoativo, não gosto de cheiros muito doces),
e uma voz suave mais ao mesmo tempo rouca.
Eu
reconhecia a voz dele a quilômetros de distância. Tal qual eu
fiquei embasbacada. Depois
eu descobri que sua
voz era
assim
por
causa do seu vício em tabagismo. Estranhamente, ele nunca tinha
cheiro de cigarro, ou
de perfume forte para abafar o tabaco. Tinha sido recém-empregado
como eu, e sua função era Gerente de Segurança. Andava
com sua moto pra cima e pra baixo o dia todo, indo de guarita em
guarita, resolvendo os pepinos diários. Para não demonstrar a
pamonha que eu virava toda vez que ele se aproximava, ficava sem
reação e sem pensar em nada que fizesse sentido para dizer quando
ele me cumprimentava, tomei para mim uma postura fria, senhorita de classe, recatada e do lar. Era muito educado, e sabia que era bonito.
Logo
chamou a atenção de muitas além de mim. O que me deixava muito
enciumada, talvez até por isso, não mantinha conversas com ele,
além de “bom dia”, “boa tarde”, “precisa de algum material
de escritório?”. Eu que entregava esse tipo de coisa, para as
guaritas e afins. Percebi que mesmo eu evitando ele, a cada dia que
passava ele vinha desmatando mais florestas. Poque todo dia precisava
de sulfite, e vinha buscar na minha bancada. Com o tempo isso foi me
amolecendo. E (vou cortar muitos fatos aqui, eu sei que vocês gostam
de fofoca, mas não vou me expor tanto assim)
teve
um dia, acho que ele percebeu que gosto muito de livros, durante o
meu almoço me sentava na biblioteca na frente do “meu posto”, e
lia “Alice no País da Maravilhas”, ele veio e ficou “escondido”
atrás de uma prateleira. Fingi que não vi, e continuei lendo (sou
difícil), mas rindo por dentro, mas ele era tão bonito que não
dava para não olhar pra ele. Olhei… e ele olhou de volta. Sorri.
Saí
da minha leitura e fui até ele, ele sabia o que estava fazendo.
Escolheu um ponto muito estratégico da biblioteca; podíamos ver,
mas não eramos vistos. Achei que por ele ser um pouco mais velho do
que, eu tinha vinte e um, e ele trinta e um, ele seria mais maduro.
Grande erro, quase gargalhei quando percebi que ele tinha mais
dificuldade do que eu para se expressar naquele “momento lindo”,
como diria Roberto Carlos. Me perguntou se eu achava que ia chover.
Eu: “Acho que não”. E o que eu geralmente fazia ali para me
divertir; disse que era mais caseira, mas que gostava de ir ao
cinema. De vez em quando saía, mas não muito. Ficou pensativo por
um tempo. Dentro de mim eu pensava que ele só queria me comer, e não
estava errada, mas essa constatação não me fez perder a alegria, e
os ataques diários do coração que eu tinha sempre que ele se
aproximava.
Alain
Delon: “Se eu te convidasse para assistir a um filme na minha casa,
você ficaria ofendida?”. Na minha cabeça: “De jeito nenhum,
iria até agora, subo na garupa da sua moto?”. O que eu disse:
“Preciso ver na minha agenda”. Ele sorriu, e eu também, não
tinha como não sorrir junto com ele. Sabe aquelas pessoas que
sorriem com os olhos? Então… Querem saber mais sobre esse meu
affair?
Parem
de
tentar me intimidar nas redes sociais, deixem comentários e sigam o meu blog. Amanhã
tem mais.
Continua...

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