| Bandeira Branca meu amor não posso mais... |
Meu amado Charlie Ouranos Brown, demorou muito para voltar a nossa residência no Palácio do Jaburu, em Brasília logicamente. Portanto, liguei para ele e perguntei:
Capitu: Onde diabos você se meteu?
Charlinho: Acabou acontecendo umas desventuras no caminho, tive que vir pra Paris.
Capitu: Paris? Você não tava em Portugal?
Charlie: Acabaram aparecendo uns produtores que querem financiar aquela peça que eu escrevi inspirada em você. Lembra?
Capitu: Eu não quero saber de peça. Volte para casa. Você trabalha demais, e não recebe reconhecimento.
Charlie: Porque que você não vem pra cá?
Capitu: Não posso, tive uns problemas de comunicação com o Macron, aquele imbecil pensa que é dono do mundo. Não quero acabar topando com ele.
Charlie: Bom, eu não posso sair daqui estou quase fechando um negócio... Você vai ter que vir...
"Mais que inferno", pensei. E lá fui eu, atrás do meu eterno namorido fujão. Entrei no meu jato particular, pilotado pelo Santos Dumont, um ótimo condutor, mas um pouco atrapalhado. Sempre que eu me aproximo ele começa a ter gagueiras e suadeiras suspeitas. Já disse várias vezes a ele que sou casada, mas ele insiste em me colocar em situações de constrangimento aéreo. A porta de comando tem que estar sempre fechada, se eu falo qualquer coisa a ele, ele perde o comando do volante, e sofremos turbulências desnecessárias. Por isso, só quem fala com ele é minha assessora Anittta, uma Drag Queen muito conhecida no meu país, mas que resolveu deixar de ser famosa porque isso a estava levando a loucura, e exaustão. A contratei porque isso ia chamar mais a atenção para mim, dos meus eleitores, e até que ela está indo bem, é uma ótima administradora de conflitos.
Pois bem, chegamos ao encontro de Charlie que estava tirando fotos do lindo palácio de Versailles, quando meu jato pousou. Meu jato pousa em qualquer lugar que eu quiser, e eu gosto de chamar atenção. Você meu querido, adora minha extravagância, e sorriu quando me viu chegar. Eu estava vestida com um lindo terno magenta, e sapatos Oxford, porque nunca fui muito chegada em saltos altos, me doem as costas. Fui passando pela multidão curiosa, vários deles com feições estranhas porque não concordam com minhas políticas de preservação da Amazônia, inclusive o Macron, mas esse desocupado a gente deixa para outro momento.
Capitu: (Cheguei perto do Meu Marido e o abracei como sempre, e dei apenas um selinho, porque não gosto de beijos desentupidor de pia em público) Que saudade meu amor. (E acenei para a multidão que fazia cara de nojo).
Adoro a hipocrisia dos franceses em relação a própria língua, nem todo mundo é obrigado a saber falar francês, pra isso eu tenho minha assessora Drag Queen Anitta, ela é trilíngue, e sempre aprendendo.
Charlie: Achei que você nunca viria, parece que vive presa numa torre com tela de proteção. Minha gatinha. (Esqueci de contar que é uma coisa nossa, do nosso relacionamento tórrido, as provocações constantes).
Capitu ama isso nele, é bonitinho como ele franze o nariz quando tenta me irritar.
Capitu: Meu amor, você está me devendo. Tem uma dívida exorbitante comigo.
Charlie: Que veux-tu dire?
Capitu: Por favor fala comigo em português.
Charlie: Você sabe que eu não falo muito bem...
Capitu: Bom, tanto faz, sabe quantos dias eu trabalhei em Brasília elaborando novas leis ambientais, estressada e sempre preocupada com os seus passeios por aí? Você está me traindo?
Eu esqueci de dizer que Meu Amado, é constantemente perseguido pela sua ex. Rafaela Chateubriand, uma atriz de quinta categoria que jé teve um affair com ele. Eu não posso me ausentar nos meus afazeres governamentais que essa mocinha cheia de ilusões tenta se reaproximar dele... Ela adora viajar e viajar por aí visitando restaurantes, adivinha com quem? Pedro Gregório, seu marido, e um dos meus estalkers. Que duplinha insuportável e cafona, se é pra só visitar os restaurantes nem é necessário sair do Brasil. O que mais tem no meu Brasil é restaurante.
Charlie: Tô ocupado com meu trabalho, não tenho tempo para o passado. (E riu balançando os cabelinhos esverdeados, porque assim como eu ele se acha o máximo) Mas que dívidas são essas que eu tenho com você?
Nesse momento Azrael, nosso filho, que diga-se de passagem é um pequeno endiabrado, herdou as orelhas de Dumbo do pai, e qualquer oportunidade que ele tenha de imitar os trejeitos do papi ele usa, porque sabe que isso o irrita. Saiu de dentro do jato saltitando.
Azrael: Pai me dá a câmera.
Charlie: Agora não tô conversando com a sua mãe.
Azrael: AGORA NÃO TÔ CONVERSANDO COM A SUA MÃE. (Numa altura tão grande, que fez todos que se reuniram ali pra falar sobre a vida dos outros, dar risada).
Capitu: Para Azrael! Eu não gosto de imitações em casa.
Azrael: Mas a gente não tá me casa.
Capitu: Minha casa é o universo.
Azrael fez aquele sinal típico usando a mão direita e apontando para a orelha, como se dissesse a você Charlie meu amante cruel, "mamãe é louca". Charlie riu e deu a câmera para ele. Nós sempre fomos um casal que atraí muitas multidões, eu Capitu que sou muito famosa no mundo inteiro, pois todos gostam de falar mau de políticos, sou como a figura de Cristo no meu país, existe alguém mais seduzente e admirado do que o filho de Deus? Meu pai Machado de Capitolina, que teve grande carreira na política, ao mesmo tempo que é admirado no meu país também assusta a classe mais rica. A burguesia treme ao som dos discursos longos e cheios de enfase de papai. Meu pai Joaquim sempre foi e sempre será, apesar dos seus 60 anos, segue firme e forte, se aposentou dos cargos públicos mas mantém ainda uma aparência muito jovial, a pele negra e a barba branca dá a ele um contraste de respeito, uma figura que amedronta. Ele criou uma bolha invisível em volta de seu eleitorado. Papai noel? Papai de Capitu e só de Capitu, nascido e criada no Rio de Janeiro. Mas meu pai, são muitas outras histórias.
Se Capitu se assemelha a figura de Cristo, Charlie é minha Maria Madalena. Uma princesa, cheio dos bons modos, e de alta linhagem. Tem cheiro de morango com baunilha, e os lábios sempre tão cor de pitanga... Sinto arrepios só de observá-lo. Quero me hospedar em um hotel discreto em Paris com ele. Azrael vai ter Anitta como babá, e eu e Charlie poderemos nos chamar um pelo nome do outro na nossa alcova nupcial. Não é romântico? Mas os deveres de estado e as Rafaelas sempre se fazendo de solícitas e vítimas da sociedade me impedem... Nas fotos aparecemos de mãos dadas olhando carinhosamente um para o outro, enquanto Azrael depredava as flores do palácio... Esse menino não tem limites.
Capitu tem a sensação que todos os seus interesses pessoais e familiares são abertos a TV para um grande público voraz. Nas novelas é quase que uma lei pegá-la para Cristo, e dividir seu corpo em vários pedaços, só essa semana já perdeu uma fábrica de bolos, foi ameaçada de morte, e esfaqueada por uma sócia empresária. As Rafaelas e os Pedros seguem hackiando a matriz. Charlie meu amor, você vai me deixar ficando velha e louca? Sempre esperando por nossos encontros hiper realistas?
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